Brasil 3 x 0 Japão – O Retorno da Família Scolari

Na estreia da Copa das Confederações, Brasil faz 3 a 0 no Japão e mostra um futebol mais objetivo e eficiente, contando com a raça para levantar o troféu

Por: Esther Morel

Depois de uma cerimônia de abertura bem meia-boca visualmente, cujos dançarinos pareciam ter sido ensaiados às pressas, a bola finalmente rolou para a Copa das Confederações. A principal sensação é que a Copa do Mundo já começou, aqui, no nosso quintal.

E essa sensação não é essencialmente boa, uma vez que, nos entornos do Mané Garrincha, em Brasília, enquanto o torneio começava, muitas pessoas se reuniram para protestar, deixando claro o contraponto na situação que o Brasil vive no momento. A manifestação, um dos ecos dos movimentos que vêm acontecendo por vários motivos nas cidades brasileiras, e pacífica até o início da ação da PM, contou com cerca de 1,2 mil pessoas que criticavam os altos gastos de dinheiro público para que o país pudesse sediar os eventos. No fim, oito pessoas foram detidas e 27 ficaram feridas. Sobrou até para Dilma e para o presidente da Fifa, Joseph Blatter, ambos vaiados na cerimônia de abertura.

Dentro do estádio, uma seleção brasileira bem diferente da que vimos nos últimos anos: entrosada, objetiva, rápida e eficiente. No primeiro passo rumo ao título, um time do jeito que Felipão gosta. Quem lembra do pentacampeonato em 2002 com certeza vê resquícios da “Família Scolari”, que mesmo sob muita desconfiança se fechou em busca de um objetivo e conquistou o mundo com um futebol até bem truncado, mas raçudo e copero.

Diante do Japão foram três gols. Não foi fácil vencer, mas parece que a equipe aprendeu com os resultados passados e parou de tomar sufoco, mesmo de seleções menores, que acabavam revertendo o placar e desacreditando os jogadores.

Logo aos três minutos, Neymar deu fim ao jejum de nove jogos sem marcar e abriu o placar. Fred tentou dominar um cruzamento vindo da esquerda, na entrada da área, mas a bola foi mais longe do que o esperado. Assim, o camisa 9 fez a proteção para que Neymar soltasse a bomba, de perna direita, no cantinho do goleiro Kawashima. Um golaço!

O gol logo no início do jogo foi essencial para que a torcida apoiasse os jogadores brasileiros, ao invés de pressionar ainda mais, como vinha fazendo nos amistosos. No entanto, os japoneses não se deixaram intimidar e a pressão veio dentro de campo mesmo, mas foram poucas as chances, que chegavam principalmente dos pés de Honda.

Já no lado amarelinho, Fred e Hulk, este muito criticado pela torcida e até mesmo pela imprensa, foram responsáveis por várias jogadas perigosas, muitas das quais pararam nas mãos do goleiro adversário.

No segundo tempo, o Brasil chegou atacando com velocidade e, novamente aos três minutos, veio o gol. Após um cruzamento de Daniel Alves, Paulinho, sem marcação, conseguiu dominar a bola no meio da área e deixar o seu.

Com a tranquilidade que o placar dava, Felipão armou a equipe para manter o resultado favorável, mas ainda faltava mais um. O Japão perdeu a bola quando tentava chegar ao gol e Oscar puxou um rápido contra-ataque. Jô, que entrou no lugar de Fred aos 35 minutos da segunda etapa, recebeu no meio o passe, limpou o marcador e fez mais um golaço na partida.

Sem a pressão da torcida, principalmente por conseguir abrir o placar cedo, a seleção brasileira conseguiu superar as expectativas e mostrar que existe um bom futebol guardado dentro dos 11 titulares, todos convocados por merecimento. Ainda não é o futebol envolvente que nos acostumamos a ver, mas tudo indica que a raça será a maior aliada da equipe nesta Copa das Confederações.

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2 Responses to Brasil 3 x 0 Japão – O Retorno da Família Scolari

  1. Brasileiro says:

    O Brasil foi eficiente, mas não foi brilhante. Aproveitou o fator casa e aproveitou muito bem o nervosismo japonês diante da estreia.

    Em relação ao entorno, não só em Brasília como nas demais sedes, o legado será quase nulo. Da copa sobrarão os estádios, só.

    E pelo que se viu ontem, não será surpresa se a maior lembrança de 2014 seja a taça.

    Parabéns pelo texto.

    • Concordo. Não acho que o Brasil merece vencer a Copa do Mundo, considerando que temos uma Alemanha incrível na briga, mas tá com muita cara de que a taça ficará por aqui mesmo.
      Obrigada!

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